quinta-feira, 4 de junho de 2015

Tentativa de revolução independentista em Kharkiv

Em Abril de 2014 deram-se os mais sérios confrontos independentistas em Kharkiv desde o início do escalar da tensão entre a Rússia e a Ucrânia.

Quando estava no meu albergue em Kharkiv conheci um rapaz de Kiev, de língua materna russa e completamente ucraniano, que me contou como é que isto se passou. Dizia ele:
“ - Uma coisa é a língua. A minha língua materna é o russo, mas eu também falo ucraniano. Outra coisa é o meu país – A Ucrânia.”

Um certo dia de manhã chegaram a Kharkiv umas 2000 pessoas vindas de outros pontos da Ucrânia. O propósito era protestarem contra o sistema vigente e revoltarem-se a favor de um governo pró-russo em Kharkiv.
Houve alguns protestos e muitas pessoas reuniram-se num grande edifício no centro da cidade. A situação na cidade esteve bastante tensa durante esse dia e noite.

No dia seguinte, estes manifestantes, vindos de longe, repararam que todos os seus líderes haviam desaparecido. Assim ficaram sem sabem bem o que fazer, onde e como protestar, e sobretudo a quem cobrar aqueles dias de “trabalho”.
Sendo assim acabaram por se ir embora e a confusão acabou por se dissipar.

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Pelo que fiquei a saber o que se passou foi o seguinte.
Kharkiv é uma cidade relativamente grande, contudo a chegada de uns milhares de pessoas, todos homens, com muito bom cabedal e cara de mau, dificilmente poderia passar despercebida.
Kharkiv fica num canto da Ucrânia e as estradas em muitos sítios são mesmo muito más, pelo que é bem provável, que uma boa parte desta maralha tenha chegado de comboio, passando assim pela estação dos comboios, que são sempre pontos bem vigiados.
Além do mais, em Abril de 2014 já havia a experiência do que se estava a passar em Donetsk, e o governo da Ucrânia estava atento ao que poderia acontecer em outros pontos críticos do pais.

Mal os serviços mais ou menos secretos da Ucrânia souberam da chegada destes manifestantes a Kharkiv, enviaram imediatamente forças especiais para a cidade, as quais chegaram a Kharkiv nessa mesma noite.

Durante a noite estes prenderam 75 cabecilhas que estavam a organizar os protestos. E no dia seguinte e todos aqueles titushkas ficaram sem saber o que fazer.

Depois deste incidente houve alguns rebentamentos de bombas em Kharkiv mas sem causar feridos graves ou mortos.

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Assim, graças à rápida actuação dos serviços secretos ucranianos e das forças especiais, esta revolução pró-russa não deu em nada e a cidade tem vivido num clima de relativa calma. Se intervenção não tivesse sido tão rápida e assertiva é bem possível que Kharkiv estivesse agora a experiênciar um clima de devastação semelhante ao que se vive hoje em dia nas regiões de Donetsk e Lugansk.

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