segunda-feira, 27 de abril de 2015

Shakhtar Donetsk - Dinamo Kiev em Lviv


Hoje foi dia de jogo grande.
O derbi entre o primeiro e o segundo classificado do campeonato ucraniano, em que o Dinamo Kiev parte com 5 pontos de avanço.
Um jogo decisivo para o título, com a particularidade de ambas as equipas jogarem for a de casa, aqui mesmo em Lviv.
Ainda pensei em ir ver o jogo ao estádio, mas os lugares não são muitos (30 000), e eu não sabia se ainda haviam bilhetes, de maneira que fiquei a ver o jogo no café.



O que mais me impressionou foi o facto dos jogadores estarem constantemente a tocar no árbitro. Não é que lhe estivessem a bater; era simplesmente para ele ouvir melhor os seus protestos.

Um jogo bem disputado e super violento.
Aliás, eu fico com a dúvida se as regras do futebol na Ucrânia são as mesmas que no resto da Europa. Sinceramente, não sei se aqui no campeonato da Ucrânia se pode usar o cartão vermelho.
A certa altura, o jogador do Shakhtar dá um pontapé na perna to jogador do Dinamo, mesmo nas barbas do árbitro e mesmo assim só conseguiu levar o cartão amarelo.

No final o 0 – 0 deixa o Dinamo de Kiev a um passo do título.

domingo, 26 de abril de 2015

Aniversário do desastre de Chernobil

Hoje é o aniversário da explosão do reactor nuclear número 4 de Chernobil - 26-4-1986.
Para assinalar a data, um pouco por toda a cidade de Lviv e por todo o País são expostas bandeiras da Ucrânia.



Ao fim da tarde, quando ia a passar na Praça da Liberdade [ Prospekt Svobody ], encontrei um grupo de pessoas, a rezar em frente à imagem de Nossa Senhora, pelas vitímas da tragédia.

sábado, 25 de abril de 2015

A caminho da Crimeia


Não, não sou eu que vou a caminho da Crimeia, se bem que não me importava nada ... dizem que é muito bonito.

Há uns tempos, conheci uma rapariga da Crimeia, vamos chamar-lhe “agente secreto 00421”. Com exceção de alguns meses, em que ela esteve a estudar no estrangeiro, viveu a vida toda na Crimeia. Numa feliz coincidência encontrei-me com ela aqui em Lviv, e de seguida ela regressou a casa na Crimeia.
O problema é que desde a ocupação russa da Crimeia no ano passado, o governo da Ucrânia, cortou todo o tipo de ligações terrestres ou marítimas com a Crimeia, sendo proibido todo o tipo de transito de carga ou de pessoas.
Se bem que, na Ucrânia, o que é “proibido por lei”, não tem exactamente o mesmo significado que em outros sítios. Normalmente há sempre uma maneira mais ou menos complicada de resolver a situação.

Assim, a agente 00421 chegou sã e salva a casa, embora a viagem tenha sido bem diferente do que em outros tempos.
Antes era só apanhar o comboio e em cerca de 22 horas estava em Simferopol (a principal cidade da Crimeia).
Agora, a viagem é bem mais complicada. Primeiro é preciso ir de comboio até uma cidade no sul da Ucrânia. Depois é necessário apanhar uma carrinha (marshutka) até onde começa a região da Crimeia. Depois é preciso caminhar durante 4 kms através de um sitio, onde “por coincidência”, não há policia nem militares. Quanto à bagagens é tudo muito democrático, cada um carrega as suas. E por fim apanha-se uma outra carrinha até Simferopol. Umas 28 horas no total. E quanto a gastos, o custo da viagem é quase o dobro do que era há dois anos atrás.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Castelos de Olesko, Pidhirtsi e Zolochiv

Para conhecer um pouco mais da região Oeste da Ucrânia, decidi juntar-me a uma excursão turística afim de visitar alguns dos principais castelos da Região. A viagem incluía a visita ao castelo de Olesko, ao Palácio de Pidhirtsi e a fortaleza de Zolochiv.

O castelo de Olesko, é uma coisa muito pequena. Umas partes estão restauradas (segundo os padrões de qualidade da Ucrânia), outras não.

O Palácio de Pidhirtsi, é bem mais recente do que Olesko (século XVIII), mas está completamente a cair de podre. Nem sequer era possível entrar lá dentro. É uma vergonha o estado em que o palácio está, e ainda mais levarem lá os turistas para o ver. 

A fortaleza de Zolochiv é a única que posso considerar como “atração” turística. Foi restaurada em 2004, e até posso dizer que vale a pena visita.

Castelo de Olesko

Palácio de Pidhirtsi

Fortaleza de Zolochiv
Neste passeio, não vi nada de impressionante.

A minha maior surpresa foi mesmo a carrinha em que viajámos – Tinha escrito em muito bom português - “Transporte Escolar”





domingo, 19 de abril de 2015

Preparando o computador para ir para arranjar


A certa altura, o botão que ativa e desativa a internet sem fios do computador portátil da Nataliia partiu-se e a internet deixou de funcionar.
Era preciso leva-lo a uma loja de informática onde fosse possível substitui-lo.

Muito provavelmente, os empregados da loja iriam pedir que o computador fosse lá deixado por um dia ou dois, de forma a eles poderem melhor fazer o diagnostico do problema. Mas a Nataliia tinha muito receio de o fazer. Da última vez em que o telemóvel dela se avariou e ela levou-o a uma loja na Ucrânia, os funcionários dessa loja, não lhe resolveram o problema e sustiveram-lhe alguns componentes originais do telemóvel, por outros de menor qualidade. E só quando ela o levou à segundo loja é que ficou a saber que alguns dos componentes do telemóvel que ela tinha comprado não eram originais nem de marca.

Assim, por uma questão de precaução, desta vez, antes de levar equipamento de informática para reparar, ela preferiu tirar fotografias à maior parte dos componentes do computador, para pelo menos ter alguma prova de como o computador estava antes e depois de ir para arranjar.


Nataliia a desmontar o computador

Nataliia a tirar fotografias aos componentes do seu computador antes deste ir para arranjar

Invasão de Leste

Em Lviv, e em geral em toda a parte ocidental da Ucrânia, a percentagem de pessoas de língua materna russa é muito baixa. Contudo, desde que cheguei a Lviv, já perdi a conta à quantidade de ucranianos de língua-mãe russa, que aqui tenho encontrado. Isto é uma situação completamente nova. Com o eclodir da guerra no Leste, em muitos sítios tornou-se impossível morar, ou praticar qualquer tipo de negócios. E por isso muitos ucranianos do Leste, em especial das regiões de Donetsk e Luhansk, têm-se deslocado para outras cidades, como por exemplo para Lviv.
Uns trabalham por conta própria, o que lhes dá a liberdade de trabalhar a partir de qualquer localização; noutros casos, são as próprias empresas que deslocaram os escritórios do leste para o oeste, e claro que os trabalhadores em geral ficaram bem satisfeitos com esta mudança.

Isto tem tido duas consequências:
Em primeiro lugar o preço do arrendamento em Lviv, tem disparado, uma vez que há cada vez mais pessoas à procura de casa.

E por outro lado, há casa vez mais pessoas a falar russo em Lviv.

Este segundo ponto, desagrada a muitas pessoas de Lviv. Uns não querem nem sequer ouvir falar da língua russa (por exemplo quando eu pergunto alguma coisa sobre a língua ucraniana em relação à russa).

Outros estão mais preocupados com o facto de esta “invasão de leste”, levar a uma diminuição do “nível educacional” de Lviv.
Eu pessoalmente ouço constantemente pessoas a falar russo nas ruas de Lviv [ ao fim de alguns dias já consigo distinguir se uma pessoa está a falar russo ou ucraniano (apesar de não perceber praticamente nada) ]. Contudo não consigo distinguir se este falantes de russo são ucranianos que moram em Lviv, ou turistas, vindo do leste (mas seguramente não devem ser russos vindos da Rússia).
Por outro lado, quando ao “nível educacional” dos migrantes de leste, eu penso o contrário. Os usos e costumes dos falantes de russo são diferentes do de língua ucraniana, mas a meu ver, os que se têm deslocado para o ocidente, são claramente as pessoas com um nível de educação mais elevado, uma vez que só estes é que têm possibilidade financeira e laboral para conseguirem mudar-se para uma nova cidade e conseguirem sustentar-se. Um bom indicador é que ainda não conheci nenhuma pessoa vinda do leste que não consegui-se falar razoavelmente inglês - só a partir disto se vê o nível de educação das pessoas que tê recentemente migrado para Lviv.

Quando às pessoas de menos posses do leste … bom esses não sei por onde é que andam; provavelmente, não têm opção e se calhar têm mesmo de ficar nas zonas de risco ou acomodar-se em outros sítios com familiares e amigos.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Vestígios de Portugal em Lviv

A coisa mais famosa que até hoje aconteceu em Lviv, foi seguramente o Euro 2012. Em Lviv ergueu-se um dos 4 estádios construidos na Ucrânia e aqui se disputaram alguns jogos do Grupo B, como o Portugal – Alemanha e o Portugal – Dinamarca.


Lviv, e provavelmente a Ucrânia em geral, é uma terra muito pouco relacionada com Portugal.
É raro encontrar por aqui coisas portuguesas; até agora, só consegui mesmo encontrar duas: os velhos portugueses, que estão sempre um pouco por todo os lado; e a página de anúncios gratuitos OLX.


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Visita ao Arsenal Militar.


O Arsenal Militar é uma das mais antigas estruturas de Lviv. No inicio do século XVIII foi explodido pelos Suecos e reconstruido sob a forma que hoje de tem. Durante muito tempo foi um armazém de armas e material militar.

Ontem à noite fui visitar e rés-do-chão do edifício. Normalmente o bilhete custa cerca de um euro, mas como é Páscoa, a entrada foi mesmo gratuita.




Como se pode ver, isto de militar já não tem nada.  

domingo, 12 de abril de 2015

Tiro ao Alvo em Shevchenkivs'kyi Hai

No festival de Páscoa de Shevchenkivs'kyi Hai há emendas actividades disponíveis, sobretudo relacionadas com os tempos medievais. Por exemplo, andar de cavalo, andar de camelo, treinar a arte da esgrima com espadas de borrada, treinar o tiro ao alvo, com lanças, machados e flechas.
No caso do tiro ao alvo, os instrutores acharam que os jovens atiradores teriam um melhor desempenho se estivessem perante um alvo mais concreto. Sendo assim, decidiram colocar a imagem de um homenzinho no centro do alvo para servir de 'muche'.




Festival de Páscoa em Shevchenkivs'kyi Hai

Todos os anos durante a Páscoa é organizado um festival no parque de Shevchenkivs'kyi Hai, em Lviv.
Concertos, danças e jogos tradicionais, barraquinhas a vender comida e produtos mais ou menos tradicionais.
Um ambiente verdadeiramente de festa.

 








O mais curioso acho que foi ver a malta nova a jogar efetivamente alguns jogos tradicionais ucranianos. Se fosse noutros sítios, o mais provável é que os miúdos se sentassem na relva jogar no telemóvel.


Procissão de Páscoa


Procissão de Páscoa em Lviv









Páscoa em Lviv


Lviv e toda a parte ocidental da Ucrânia é a região mais religiosa do país.
No fim-de-semana de Páscoa as pessoas fazem fila para visitar as igrejas.

 Aqui a religião dominante é a Igreja Greco-Católica – uma mistura entre a igreja ortodoxa e a igreja católica.
As igrejas, construidas pelos polacos, são maioritariamente católicas, mas os costumes são sobretudo ortodoxos. E o sumo pontífice da igreja é o Papa em Roma – uma restrição imposta pelos polacos em troca de uma maior tolerância pelos costumes ortodoxos.

Uma das diferenças entre a igreja católica e ortodoxa é que a segunda celebra a Páscoa uma semana mais tarde.








sexta-feira, 10 de abril de 2015

Bandeiras …

Algo bastante comum em Lviv é encontrar bandeiras da ucrânia, espanhadas por toda a cidade. Esta é uma tendência recente, que se tem instalado um pouco por todo o país, desde que rebentou a guerra no lesta da ucrânia.


Mas, não são só bandeiras da Ucrânia que se vêem espalhadas por Lviv. Há também imensas bandeiras da União Europeia, normalmente ao lado da bandeira da Ucrânia.






Bem, se eles querem aderir à União Europeu têm de começar por algum lado ...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Shakhtar Donetsk em Lviv

Ontem à noite, ao passear aqui por Lviv, dei de caras com o autocarro do Shakhtar.


O Shakhtar é um dos maiores clubes de futebol da Ucrânia. A cidade natal do Shakhtar é Donetsk. Mas entretanto, por motivos de força maior, o Shakhtar deslocou a equipa para Lviv, a mais de 1000 km de distância. De maneira que agora quando clube joga em casa, os jogos são disputados no “Lviv Arena”.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Tapetes à venda

Um coisa que se vê com frequencia à venda nas ruas de Lviv são tapetes de entrada para sacudir os sapatos.

Há para todos os gostos: brancos, pretos, verdes, com bigode, sem bigode … é só escolher.









Lviv

Lviv é uma cidade muito formosa, onde, pelo menos no centro, se misturam a arquitetura Polaca e Austríaca.

Durante muitos séculos, a cidade de Lviv, pertenceu à Lituânia e à Polónia e mais tarde à Áustria. Até à Segunda Guerra Mundial a maioria da população da cidade falava polaco. Contudo, depois da guerra estes foram todos expulsos e deslocados para Ocidente. Hoje em dia, não há polacos em Lviv, contudo o seu legado arquitetónico e cultural é mais do que evidente.

Um estilo arquitetónico muito parecido ao que podemos encontrar por exemplo em Praga ou Cracóvia, mas … sem restauro, o que lhe dá um ar ainda mais autentico e original.










segunda-feira, 6 de abril de 2015

Viagem de Cracóvia para Lviv

Eu detesto apanhar autocarros noturnos, porque sei que nunca consigo dormir no autocarro, mas não havida alternativa.
O mais chato da viagem era ter de atravessar a fronteira às 2 da manhã; e eu não sabia exatamente qual é que era o procedimento. Se seria só apresentar o passaporte, eu se era preciso sair do autocarro para os guardas revistarem a malas e verificarem vistos.

Apanhei o autocarro em Cracóvia às 23:00.
O autocarro ia completamente cheio, mas o que mais me surpreendeu é que também o porão das bagagens ia completamente cheio; quase que a minha mala não cabia.

Até à fronteira, a viagem foi uma maravilha, (surpreendentemente) sempre em autoestrada.
Chegamos à fronteira perto da 2 da manhã.
O motorista lá disse umas coisas em ucraniano; não sequer disse nada em polaco, o que depois de 3 meses a morar na Polónia, seria ligeiramente melhor para eu conseguir apanhar pelo menos algumas palavras.
O pessoal, começou a sair do autocarro e a fazer fila para entrar lá para uma casa; e eu , contra minha vontade, lá segui o resto do rebanho.
Só quando lá cheguei a essa tal casa é que me apercebi que a file, afinal era só para ir à casa de banho; e assim regressei ao autocarro.

Passado um bocado, a policia entrou no autocarro para recolher os passa-portes. Quando chegar à minha vez, a policia, olhou quatro vezes para mim e para a minha fotografia no passa-porte; deve ter sido para se assegurar que era mesmo eu quem estava a viajar. Eu olhei-a bem nos olhos para a ajudar à tarefa. É compreensível a dúvida dela, pois eu hoje em dia tenho o cabelo bem mais curto do quem quando tirei a fotografia que tenho no passa-porte.

Depois, passado uma data de tempo vieram devolver os passa-portes. A mulher policia, chegou com um maço deles na mão e começou a chamar pelos nomes das pessoas. No meu caso, não fui preciso, pois o meu passa-porte distinguia-se bem à distância dos outros. Todos os passa-portes que ela tinha na mão eram azuis, exceto o meu que é castanho.

Assim, ao fim de duas horas, consegui passar a fronteira. Ao todo levou cerca de uma hora e meia para passar a fronteira de saída da Polónia, e 20 minutos para entrar na Ucrânia.

No final, cheguei a Lviv uma hora antes do esperado. Provavelmente porque àquela hora não havia transito, não apanhamos fila na fronteira.





domingo, 5 de abril de 2015

Acabado de chegar à Ucrania.

Estou acabado de chegar à Ucrânia.
Apanhei o autocarro noturno de Cracóvia para Lviv e cheguei aqui à 7 da manhã. 8 horas de viagens para fazer 300 km.
Eu detesto viajar de autocarro durante a noite, mas não havia opção. Haviam uns 15 autocarros noturnos entre Cracóvia e Lviv e zero diurnos.
O problema é que os horários não são programados para quem viaja entre cracóvia e Lviv, mas sim para quem viaja entre o centro da Europa e Kiev, e que em geral leva mais de 24 horas.

Na estação dos autocarros o taxista, mesmo depois de eu discutir o preço, cobrou-me quase o dobrou do que era suposto. Mesmo assim foram só 3 euros.